13 de outubro de 2010

Vejam que sabedoria: "Todo silêncio é música em estado de gravidez"
 Mia Couto, autor moçambicano
----------------------------------------------------

Quando já não havia outra tinta no mundo o poeta usou do seu próprio sangue.
Não dispondo de papel, ele escreveu no próprio corpo.
Assim, nasceu a voz, o rio em si mesmo ancorado.
Como o sangue: sem voz nem nascente.

Mia Couto-----------------------------
Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
Mia Couto

Nenhum comentário:

Postar um comentário

...podas...quando você comenta eu posso crescer...pensar...amadurecer a idéia...